Vasectomia

Antes de optar por fazer uma vasectomia, o homem deve pensar cuidadosamente sobre quais informações gostaria de obter sobre o assunto. É importante para os casais que pensam nesta possibilidade procurarem orientação antes da realização do procedimento. Quanto mais souberem a respeito, maior a certeza de uma decisão correta e que deve ser considerada como definitiva.

Consultar uma lista de perguntas e respostas que são frequentemente levantadas por outros casais que já viveram esta situação pode ajudar bastante.

 

Mesmo podendo ser revertida em cerca de 50% dos casos, toda vasectomia deve ser considerada definitiva.

 

O que é vasectomia?

 

Basicamente, a vasectomia é um procedimento cirúrgico simples realizado por urologistas para tornar-se um homem estéril. É um método comum de contracepção, considerado simples, seguro e eficaz.

Consiste na realização de um corte no canal deferente, tubo que carrega esperma do testículo para se tornar parte do sêmen. É feita a secção BILATERAL de ambos os canais deferentes, utilizando uma via de acesso mínima. Após esta secção, as bordas criadas dos canais são ligadas (amarradas) ou então eletrocauterizadas, para minimizar o risco de recanalização, pois o organismo tentará curar a “lesão”.

Embora o homem continue a ter relação sexual e ejaculação como antes do procedimento, seu sêmen não vai ter esperma. Consequentemente, ele não será mais capaz de engravidar uma mulher.

Quem pode fazer a Vasectomia?

De acordo com a lei 9.263, publicado no Diário Oficial da União em agosto de 1997, sobre a regulamentação do planejamento familiar, indico a vasectomia para homens acima de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos ou nos casos onde a gravidez do cônjuge poderá gerar risco de vida. Na prática diária costumo dizer aos homens que devem eleger a vasectomia como um procedimento definitivo, apesar de sabermos hoje que existe a possibilidade de reversão. O homem deve estar seguro de sua decisão e, principalmente, feliz com o relacionamento conjugal. Quanto tempo leva para fazer este procedimento?

O que devo levar em consideração antes de fazer uma vasectomia?

Para ter certeza de que quer mesmo fazer uma vasectomia, esteja certo de que no futuro você não vai querer ser pai novamente. Pense se esta decisão não mudaria depois dos seguintes eventos em sua vida:

  • Se você já é pai, caso um de seus filhos falecesse ou mesmo mais do que um, você gostaria de ter um outro filho?

  • E se você se divorciar e perder a guarda de seus filhos?

  • E se você vier a ter uma nova companheira que deseja ter filhos?

  • Caso sua situação financeira melhore, seu desejo de ter mais filhos pode mudar?

  • Quando seus filhos crescerem, possivelmente vão deixar a sua casa. Você gostaria de ter novas crianças suas por lá?

Você não deve ignorar os efeitos psicológicos da impossibilidade de ter filhos. Pense neles.

 

A vasectomia não é habitualmente recomendada a homens que consideram guardar seus espermas em um banco de esperma, caso decidam ter mais filhos futuramente. Converse sobre outros métodos contraceptivos com seu médico, sua parceira e procure muitas informações antes de tomar esta decisão. Tudo deve ser muito bem pensado e planejado.

 

Orientações pré-operatórias

 

É aconselhável o jejum absoluto de 6 horas. O paciente deverá no dia da cirurgia realizar a retirada dos pelos do escroto e em algumas situações deverá tomar um antibiótico profilático no dia da cirurgia. Seu urologista ira lhe informar sobre isso pois a profilaxia não é realizada por todos urologistas

Compre um suspensório escrotal e já leve consigo para o hospital pois já sairá com ele do hospital. Leve toda a documentação exigida para realização do procedimento. Como certidões de nascimento, consentimento informado registrado e exames laboratoriais caso tenha.

Caso sua cirurgia seja realizada sob sedação será necessário que vá com um acompanhante e só será liberado com o mesmo. Não poderá dirigir por pelo menos 24 horas.

 

Quanto tempo dura o procedimento?

 

O procedimento em si leva uns 20 minutos, porém pode ser mais demorada de acordo com a anatomia do paciente.

Pode haver sensibilidade no local, desconforto e edema discretos nos primeiros dois ou três dias, com retorno às atividades rotineiras em cerca de uma semana.

Seguir as instruções médicas cuidadosamente ajuda na recuperação após o procedimento.

 

Técnica Cirúrgica

 

O paciente será encaminhado para a mesa cirúrgica onde deverá ficar deitado com a barriga para cima, as mãos colocadas atrás da cabeça e deverá ficar o mais relaxado possível. O ducto deferente deverá ser pego através da pele pelo urologista e o primeiro passo será a realização da anestesia local. Neste momento o paciente normalmente sente um pequeno desconforto causado pela picada da anestesia.

É então realizada a incisão da pele com bisturi de mais ou menos 1 cm onde então é apreendido o ducto com uma pinça apropriada. Quando pinçamos o ducto é comum o paciente sentir um incomodo no testículo e na região inguinal. Após a separação dos ductos das camadas que o protegem. É realizada sua secção, e posteriormente a ligadura e cauterização dos cotos.

Após confirmação que não há nenhum sangramento os cotos são colocados dentro do escroto e a pele fechada com fio absorvível. O mesmo procedimento é realizado no outro lado.

Nos casos onde haja a presença de um anestesista o procedimento é realizado sob sedação e a anestesia local, assim o paciente fica muito mais confortável. Sendo o método preferido pelo médico e paciente caso ele tenha disponibilidade.

Cuidados Pós-operatórios

Logo após o procedimento você deverá colocar o suspensório escrotal junto com uma cueca apertada ou sunga. O suspensório deve ser utilizado diariamente até mesmo durante o período noturno e deve ser usado até o paciente sentir-se confortável com seu testículo.

Ao chegar em casa deverá ficar em repouso por pelo menos 24-48 horas. É necessário a colocar compressa de gelo por 15 minutos em cada local da incisão por pelo menos 24-48 horas a cada 4 horas.

Edema discreto e dor tipo desconforto podem ser esperados durante alguns dias. A menos que seu trabalho seja extenuante, você poderá retornar às suas atividades dentro de um ou dois dias. Evite pegar peso por uma semana.
Você pode voltar a ter relações sexuais quando se sentir confortável para isso, geralmente dentro de uma semana. Entretanto, deve usar outro método contraceptivo até ter certeza que a contagem de espermatozoides está zerada no sêmen.

Exercício físicos mais extenuantes e serviços pesados devem ser evitados nos primeiros 15 dias. Os pontos cairão sozinhos entre 10-15 dias.  Lave o local com agua e sabão neutro e não é preciso curativo.

Em caso de dúvida contate seu médico

 

Complicações da Vasectomia


Hematoma

O hematoma é a complicação imediata mais comum. O acometimento escrotal se associa a dor importante e resultados estéticos ruins, durante o período pós-operatório precoce; felizmente, essa é uma ocorrência rara. A incidência aceitada de hematoma pós-vasectomia é de 2%, e sabe-se que a incidência de hematoma escrotal se relaciona diretamente ao número de vasectomias realizadas pelo profissional responsável (4,6% para aqueles que realizam de 1-10 vasectomias/ano vs 1,6% para os que realizam mais de 50 vasectomias/ano). Além disso, a taxa de hospitalização pelo hematoma também se correlaciona à experiência do médico.

Um dos fatores relacionados à ocorrência do hematoma é a técnica cirúrgica escolhida. Sabe-se que a técnica realizada sem a utilização de bisturi se associa a menor incidência de sangramento e formação de hematoma, em comparação é técnica incisional tradicional, o que foi demonstrado por dois estudos randomizados e controlados. Como o escroto é expansível e não tem características favoráveis ao tamponamento do sangramento, hemostasia rigorosa ao final do procedimento é essencial para a prevenção do hematoma. O cuidado pós-operatório, com elevação do escroto e uso de curativos compressivos, também tem papel preventivo.

Falha da Vasectomia

A falência em atingir ou manter a esterilização é um dos riscos mais sérios associados à vasectomia. De maneira geral, a falha é definida pela presença de espermatozoide no ejaculado, após o procedimento, mas as definições variam quanto ao número de espermatozoides e tempo após a cirurgia. No entanto, recomenda-se que, se algum espermatozoide móvel for encontrado após 3 meses da cirurgia, o procedimento deve ser repetido. As taxas de gestação indesejada associada a falência do procedimento variam de 0% a 2%, e ainda não existem padrões de recomendação para confirmação da esterilidade pós-vasectomia. Recomenda-se que seja realizada análise do sêmen 2 a 3 meses após a vasectomia, com o objetivo de obter pelo menor uma, mas preferencialmente duas amostras sem espermatozoides, com 4 a 6 semanas de intervalo.

A falha da vasectomia pode resultar de erro no procedimento cirúrgico, como ruptura ou oclusão de estruturas que não o vaso deferente, ruptura incompleta do mesmo, falha em se reconhecer duplicações do vaso deferente, ou repetição do procedimento no mesmo vaso deferente. Outra causa de falha é a prática de atividade sexual desprotegida pouco tempo após o procedimento.

Quando a ruptura apropriada dos vasos deferentes é conseguida e tempo suficiente após o procedimento é respeitado para a realização de atividade sexual desprotegida, uma causa de falha é a recanalização do vaso deferente. Amostras histológicas obtidas de pacientes submetidos a reversão da vasectomia mostraram microtúbulos epitelizados nas margens abdominal e testicular dos vasos deferentes, e espermatozoides foram observados no interior desses microtúbulos ou extravasando a partir deles. Trabalhos mais recentes mostraram up-regulation de fatores de crescimento selecionados nos sítios de vasectomia, embora um mecanismo direto de microrrecanalização não tenha sido iniciado.

Um dos mais importantes debates na literatura, sobre a ocorrência de falha da vasectomia, refere-se à técnica cirúrgica. Algumas técnicas se associam a maiores taxas, segundo dados da literatura. A técnica mais empregada, em todo o mundo, é a simples sutura e excisão. Embora as taxas de falha relatadas sejam de 1% a 3%, ou inferiores, dados mais recentes indicam taxas maiores em associação à técnica de ligadura e excisão. Alguns trabalhos mostram que a realização de interposição de fáscia, associada a ligadura e excisão, associa-se a maior eficácia em comparação ao procedimento mais simples.

Dor

Após a realização da vasectomia, a dor precoce é comum e esperada, de forma que até 30% dos pacientes queixarão algum tipo de dor mesmo após 2-3 semanas do procedimento. Já nos casos de dor a longo prazo, o tratamento deve ser mais agressivo, às vezes requerendo intervenções cirúrgicas. Felizmente, esse tipo de complicação costuma ocorrer em um a cada 1.000 pacientes operados. Epididimite congestiva e orquialgia crônica são complicações mais raras, constituindo síndromes dolorosas crônicas, frequentemente reconhecidas como síndrome de dor pós-vasectomia (SDPV).

A Epididimite congestiva é rara, ocorrendo em cerca de 0,4% a 6,1% dos pacientes submetidos à vasectomia. Apresenta-se como hipersensibilidade testicular ou escrotal no lado afetado, com sensação que dura de semanas a meses, podendo chegar a mais de um ano em casos isolados. Acredita-se que resulte de elevação da pressão devido à ligação dos vasos deferentes, de forma que a causa não parece ser inflamatória. Achados histológicos incluem ingurgitamento do epidídimo, doença cística complexa e alterações crônicas no epidídimo.

A abordagem terapêutica inicial deve ser conservadora, nos pacientes com SDPV, incluindo elevação do escroto, suporte para o mesmo, uso de compressas mornas e frias, restrição de atividade física e sexual e anestésicos orais. O emprego empírico de antimicrobianos é de eficácia provavelmente limitada, já que os achados histopatológicos não sugerem alterações de origem infecciosa. No caso de falha dessas medidas, terapias mais agressivas podem ser indicadas. Bloqueio do cordão espermático ou aplicação local de corticosteroide injetável podem garantir alívio dos sintomas. Existem alguns relatos de caso com uso de antidepressivos tricíclicos, porém os resultados foram limitados. Outra opção já relatada é a injeção transretal de bupivacaína no plexo pélvico.

O tratamento cirúrgico da dor testicular crônica pode estar indicado quando o tratamento conservador e clínico não obtiver sucesso. As técnicas incluem epididimectomia, reversão da vasectomia, denervação do cordão espermático e a orquiectomia. Há relato de cura em até 50% dos casos, após ressecção do epidídimo, vaso deferente e tecido cicatricial correspondente. A taxa de cura associada à reversão da vasectomia pode chegar a 69% em alguns casos. A orquiectomia é reservada como última opção de tratamento, nos casos de dor refratária às outras tentativas.

Granuloma Espermático

Granulomas espermáticos representam reação inflamatória em resposta ao extravasamento de espermatozoides, sendo identificados em 15% a 40% das amostras obtidas em reversão de vasectomia. Na maioria das vezes, essa condição é assintomática, porém cerca de 2% a 3% dos pacientes com dor pós-vasectomia podem apresentá-la como causa, geralmente no curto prazo. Outra complicação possível, que se associa a esses granulomas, é a vasite nodosa, que se caracteriza por proliferação local de estruturas ductais, após lesão do vaso deferente, sendo geralmente achado incidental em biopsias.

Infecção

Infecção pós-operatória ocorre em 3,5% dos pacientes, sendo maior a ocorrência entre os pacientes submetidos à técnica com incisão. Na maioria das vezes, a infecção é limitada e tratada com curso de antimicrobiano. Caso o cirurgião opte pela tricotomia, ela deve ser realizada logo antes do procedimento cirúrgico. Casos de infecções mais graves são raros, existindo relatos de gangrena de Fournier e endocardite infecciosa.

Alterações Imunológicas

Após a vasectomia, pode ocorrer exposição dos antígenos de espermatozoides ao sistema imunológico, resultando em resposta com produção de anticorpos. Em estudo publicado recentemente, 88% dos pacientes com passado de vasectomia apresentaram anticorpos anti-espermatozóide. Com relação a preocupação quanto ao desenvolvimento de doenças auto-imunes, estudos com grande número de pacientes e seguimento longo não demonstraram aumento do risco dessas doenças nos pacientes que desenvolveram anticorpos anti-espermatozóide. No entanto, esses anticorpos podem representar um problema no caso de pacientes que desejam ser submetidos à reversão da vasectomia.

 

A vasectomia pode interferir na minha potência sexual?

 

Não. A cirurgia não altera a potência ou a ejaculação (gozo) e nem a vontade de ter relação sexual

 

Quando saberei que a vasectomia deu certo?

 

No espermograma de controle se vier com Azoospermia ou < 100.000 espermatozoides imóveis/mL você estará liberado para ter relação sem métodos anticoncepcionais.

Caso possua mais que 100.000 espermatozoides imóveis/mL ou qualquer móvel com 6 meses você deverá ser REOPERADO.

Lembre-se que deverá realizar no mínimo 2 ESPERMOGRAMAS DE CONTROLE antes de ter relação sexual sem proteção. Alguns urologistas ainda advogam a realização de 1 espermograma anual mesmo após a confirmação inicial.

A vasectomia NÃO protege contra doenças sexualmente transmissíveis!!!!!

 
A minha parceira tem como saber se eu fiz uma vasectomia?


Não há mudança significativa na ejaculação após a vasectomia, já que os espermatozoides têm contribuição pequena para o volume total da ejaculação. A parceira pode ser capaz de sentir o local onde foi feita a vasectomia, principalmente se você desenvolver um granuloma.


A minha sensação de orgasmo vai se modificar após a vasectomia?

 

Nem a ejaculação nem o orgasmo costumam ser modificados pela vasectomia. A única exceção são os raros pacientes que desenvolvem a síndrome da dor pós-vasectomia.
 

Mitos sobre a vasectomia 

 

Existem muitas informações falsas sobre a vasectomia circulando entre os pacientes. Podemos afirmar que:

– Vasectomia NÃO causa impotência sexual.
– Vasectomia NÃO causa perda da libido.
– Vasectomia NÃO aumenta o risco de nenhum tipo de câncer.
– Vasectomia NÃO aumenta o risco de nenhuma doença cardíaca.

Também é importante destacar que a vasectomia é um método contraceptivo que não diminui a chance de transmissão ou contaminação por qualquer doença sexualmente transmissível (DST). O homem continua a ejacular normalmente, a diferença é que não haverá mais espermatozoides no meio do esperma. Se o paciente vasectomizado tiver alguma DST, o risco de transmissão permanece o mesmo.

 

 

 

 

 

 

Dr. Luis Guilherme

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