Câncer de Próstata

 

A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão muito pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

 

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

 

Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.

 

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fatores de Risco

Os fatores que determinam o aparecimento do câncer de próstata não são bem conhecidos porem alguns foram identificados.

● Idade Avançada

● Raça Negra

● Hereditariedade

O risco de desenvolver o câncer de próstata em parentes de primeiro grau dobra e caso mais de um parente tenha tido esse risco chega a aumentar de 5-11 vezes a chance da doença. Apenas 9% da população acredita-se ter a forma hereditária e isso é identificado quando no mínimo 2 parentes possuem o tumor antes dos 55 anos de idade.

O tipo de comida ingerida, o comportamento sexual, consumo de álcool, exposição à radiação ultravioleta, inflamação crônica e exposição ocupacional vem sendo discutido como fatores para progressão de uma doença latente para clínica.

Até o momento nenhum tipo especifico de dieta foi recomendado para que possamos prevenir o câncer de próstata. Vitamina E, Selênio e o Licopeno foram objeto de estudos para o uso regular e prevenção porem nenhum deles demonstrou eficácia.  

A síndrome metabólica (aumento do índice de massa corporal, dislipidemia, glicemia alterada, diminuição do HDL) parece estar envolvida como fator de risco para o desenvolvimento do tumor porem apenas o aumento da circunferência abdominal e hipertensão parecem estar associados ao risco do câncer de próstata. Estudos sugerem que o excesso de calorias ingeridas e a obesidade com o risco do desenvolvimento de câncer de próstata agressivo e maior risco de óbito pela doença. Atividade física regular está associada à redução da inflamação e melhora do sistema imunológico, além do controle de peso. Essa associação pode estar relacionada a menor risco de desenvolvimento do câncer de próstata

Nenhum medicamento até o momento está indicado para o uso diário no intuito de prevenir o tumor e a hereditariedade e os fatores externos ainda não completamente elucidados aprecem ser os grandes causadores da doença.

 

 

Rastreamento e Detecção precoce

 

O rastreamento anual do câncer de próstata está sendo objeto de estudos até hoje pois ainda não sabemos até que ponto vale a pena colocar toda a população mundial para que realiza e anualmente os exames e qual grupo será o real beneficiado. Está sendo colocado em discussão por várias sociedades médicas os impactos econômicos e médicos do rastreamento.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda a realização do rastreamento do câncer de próstata nos seguintes casos.

● Homens acima de 50 anos

● Homens acima de 45 anos com história familiar para o câncer de próstata

● Negros

A sociedade europeia ainda recomenda nos pacientes com 40 anos e PSA acima de 1 ng/dl e nos pacientes com PSA > 2 ng/dl acima dos 60 anos.

Cerca de 30% dos casos são diagnosticados em estágio avançado e quando detectamos em estágios inicias a chance de cura do paciente está acima dos 90%. Portanto ainda recomendamos a realização de exames rotineiros anuais e dependendo de cada caso a realização semestral dos mesmos.

 

 

 

Diagnostico

Sendo uma doença silenciosa e sem sintomas o câncer de próstata somente será diagnosticado na maioria das vezes apenas através da dosagem do PSA, toque retal e posteriormente da biopsia prostática.

O PSA é uma proteína produzida pelas células prostáticas e é dosado no sangue. O aumento da sua produção nem sempre significa que o paciente esteja com câncer porem é um dos principais marcadores para o câncer de próstata.

O toque retal é um exame realizado no consultório onde o urologista ira tocar a próstata através dos anus e sentir a consistência e tamanho da mesma.

A biopsia prostática é realizada preferencialmente sob sedação onde um aparelho de ultrassonografia transretal é introduzido no anus e através da imagem uma agulha é guiada até áreas suspeitas da próstata e assim retirado diversos fragmentos para exame histopatológico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pacientes com alteração no toque retal e aumentos progressivos do PSA devem ser submetidos a biópsia prostática.

O Escore de Gleason é um estadiamento histopatológico onde o patologista irá examinar as amostras da biopsia ou da próstata e dirá baseado na arquitetura das células prostáticas se o tumor é mais ou menos agressivo. Eles variam de 2 a 10 e quanto maior a pontuação mais agressiva é o tumor e pior o prognostico do paciente.

 

                         BAIXO RISCO        INTERMEDIARIO             ALTO RISCO

DEFINIÇÃO      PSA < 10ng/ml    PSA 10-20 ng/ml           PSA > 20 ng/ml

                         Gleason < 7          Gleason 7                        Gleason > 7

 

 

 

A ressonância magnética da próstata acima de 1.5 tesla tem demonstrado resultados promissores no auxílio ao diagnostico principalmente nos casos onde o paciente já foi submetido a inúmeras biopsias negativas e mantendo alteração no PSA e toque retal. Nestes casos a Ressonância pode auxiliar no local exato para realização da biopsia em áreas suspeitas.

 

 

TRATAMENTO

 

Hoje temos um grande dilema na urologia onde não sabemos responder se todos os pacientes com câncer de próstata devem ser submetidos a tratamento. O grande motivo deste dilema são as características indolentes de grande parte dos tumores que podem se desenvolver tão lentamente chegando ao ponto que o tratamento é mais arriscado e danoso do que a própria doença. Portanto sempre discuta com seu urologista quais tratamentos disponíveis para o seu caso e em conjunto tome a decisão qual caminho tomar sabendo de seus riscos e benefícios.

O tratamento é basicamente escolhido baseado na expectativa de vida, estado de saúde atual do paciente e características do tumor (PSA e Gleason).

  • Vigilância ativa

 

A VA consiste em uma conduta expectante diante de um paciente com cancer de próstata com monitorização frequente e programada, com o objetivo de oferecer tratamento definitivo a apenas casos com progressão da doença, evitando assim o tratamento desnecessário.

 

As vantagens desta abordagem podem incluir: evitar efeitos colaterais gerados pelo tratamento definitivo, manter a qualidade de vida, assegurar que pequenos tumores indolentes não sejam tratados desnecessariamente.

 

Como desvantagens podemos citar: chance de perda do momento correto de tratamento curativo, possibilidade de o tumor crescer e metastatizar antes do tratamento, tratar pacientes com doença maior e mais avançada com piora do prognostico e aumento dos riscos, ansiedade devido ao paciente saber que tem um câncer não tratado, necessidade de avaliações medicas frequentes e várias biópsias periódicas, incerteza sobre a história natural da doença e falta de um protocolo de seguimento mais bem avaliado pelas sociedades internacionais.

 

A VA deve ser oferecido para pacientes temerosos com o tratamento definitivo e para pacientes com baixa expectativa de vida decorrente de outras doenças e ou idade. Pacientes com volume tumoral muito baixo mesmo com expectativas de vida alta podem se beneficiar da vigilância ativa.

 

  • Braquiterapia

 

Pacientes com câncer de próstata localizado, baixo volume tumoral, PSA < 10 ng/ml e sintomas obstrutivos prostáticos leves podem ser candidatos a braquiterapia. Consiste na colocação através do períneo de sementes radioativas na próstata e sua eficácia é dependente da qualidade das sementes.

Os resultados são bem diferentes nas instituições que realizam o método porem parece ser seguro e com um índice de recidiva após 5 anos em torno de 71-93 %. Complicações mais comuns são retenção urinaria e necessidade de realizar a resseção transuretral da próstata, disfunção erétil em cerca de 40%.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Radioterapia

 

A radioterapia é focada sobre a glândula da próstata a partir de uma fonte de radiação externa. As diferentes técnicas de radioterapia são:

 

  • Radioterapia Conformacional 3D - A radioterapia conformacional tridimensional utiliza imagens adquiridas por tomografia computadorizada, ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons e as transfere ao computador de planejamento para criar uma imagem tridimensional do tumor, possibilitando que múltiplos feixes de radiação de intensidade uniforme possam ser conformados para o contorno da área alvo de tratamento, com as margens de segurança determinadas. Essa tecnologia proporciona um bom controle durante o tratamento e garante aos pacientes doses adequadas de radiação no tumor, com menos exposição à radiação dos tecidos saudáveis.


 

  • Radioterapia de Intensidade Modulada (IMRT) - A IMRT é outra modalidade de radioterapia externa conformacional altamente precisa que permite de forma muito eficaz a administração de altas doses de radiação no volume alvo, minimizando a dose nos tecidos normais adjacentes.  O objetivo da IMRT é concentrar uma maior dose de radiação no volume alvo e poupar os tecidos normais. A dose de radiação é projetada para conformar a forma tridimensional do tumor pela modulação ou controle da intensidade dos subcomponentes de cada feixe de radiação. Portanto, utiliza-se alta dose de radiação no tumor alvo, enquanto se espera diminuir a exposição à radiação dos tecidos normais adjacentes, buscando a redução da toxicidade ao tratamento. Desta forma, os efeitos colaterais a curto e longo prazo são diminuídos.


 

  • Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT) - Consiste na realização de imagens, em tempo real, na própria máquina de tratamento antes de cada aplicação de radioterapia, garantindo com a maior precisão possível que o tumor esteja dentro do campo de irradiação todos os dias, uma vez que ele pode mudar de posição devido aos movimentos respiratórios, ao preenchimento ou esvaziamento de alguns órgão, ou mesmo por pequenas alterações de posicionamento de um dia para o outro.


 

  • Arcoterapia Volumétrica Modulada (VMAT) - A VMAT,  consiste no uso do IMRT em campos no formato de arcos, com maior eficácia na conformação da dose em torno do volume alvo, poupando significativamente os órgãos normais adjacentes, é um tratamento extremamente rápido. Reduzir o tempo de tratamento significa proporcionar mais conforto aos pacientes e diminuir a possibilidade de sua movimentação durante a sessão de tratamento.


Os possíveis efeitos colaterais da radioterapia são:

 

  • Problemas intestinais.

  • Problemas na bexiga.

  • Incontinência urinária.

  • Impotência.

  • Sensação de cansaço.

  • Linfedema.

  • Estreitamento uretral.

 

 

  • Hormonioterapia


A terapia hormonal, também denominada de terapia de privação de andrógeno ou terapia de supressão androgênica, tem o objetivo de reduzir o nível dos hormônios masculinos (andrógenos), no corpo. 

Os principais andrógenos são a testosterona e a diidrotestosterona (DHT). A maioria dos andrógenos do corpo são produzidos pelos testículos, mas as glândulas suprarrenais, também produzem uma pequena quantidade. Os andrógenos estimulam as células do câncer de próstata a crescerem. Reduzir os níveis de andrógenos ou impedi-los de atuar nas células cancerígenas da próstata muitas vezes faz com que os tumores diminuam de tamanho ou cresçam mais lentamente por um tempo. Apenas a hormonioterapia não cura o câncer de próstata, no entanto, pode ajudar.

A terapia hormonal pode ser utilizada em várias situações:


 

  • Se o paciente não pode realizar cirurgia ou radioterapia, ou se a doença não pode ser curada por estes procedimentos, pois o câncer já se disseminou além da próstata.

  • Se o câncer não foi totalmente curado ou recidivou após a cirurgia ou radioterapia.

  • Como complemento à radioterapia, se o paciente tem um alto risco de recidiva.

  • Antes da cirurgia ou radioterapia para tentar reduzir o tamanho do tumor.


Tipos de Terapia Hormonal

Existem vários tipos de terapia hormonal para tratar o câncer da próstata:


 

  • Tratamentos para diminuir os Níveis de Andrógenos


Orquiectomia bilateral (Castração Cirúrgica) - Orquiectomia bilateral é a remoção cirúrgica de ambos os testículos. Embora seja um procedimento cirúrgico, seu principal efeito é hormonal. Neste procedimento são retirados os testículos, onde são produzidos a maioria dos andrógenos (testosterona e DHT). É chamado de tratamento hormonal, porque elimina a principal fonte de produção de testosterona.

Terapia com análogo do LHRH (Castração Química) - Essa terapia consiste da administração de uma droga denominada agonista do receptor do hormônio liberador do hormônio luteinizante, o que leva a uma queda no nível de testosterona.

Os análogos do LHRH são injetados ou colocados em pequenos implantes sob a pele. Dependendo do medicamento utilizado, pode ser administrado mensalmente ou anualmente. Os análogos de LHRH disponíveis incluem leuprolide, goserelina, triptorrelina e histrelina.

Degarrelix - É um antagonista do LHRH usada para tratar o câncer de próstata avançado. É administrado como uma injeção sob a pele mensalmente e rapidamente reduz o nível da testosterona. Os efeitos colaterais mais comuns são problemas no local da aplicação (dor, vermelhidão ou inchaço) e aumento dos níveis de enzimas hepáticas.

Abiraterone - Os medicamentos agonistas do LHRH podem bloquear a produção dos andrógenos pelos testículos, mas outras células do corpo, incluindo as próprias células cancerosas da próstata, ainda podem produzir pequenas quantidades, e assim estimularem o crescimento do tumor. O inibidor da CYP-17 é um tipo de terapia hormonal, que impede a produção de andrógenos no organismo.

Este medicamento é administrado por via oral, sendo a dose mais comum de 4 comprimidos por dia. 


 

  • Medicamentos que bloqueiam a função dos Andrógenos


Antiandrógenos - Um antiandrógeno ou antagonista de andrógeno é um composto químico capaz de bloquear ou inibir os efeitos biológicos de andrógenos nos receptores celulares que captam testosterona ou outros hormônios masculinos. 

Os medicamentos deste tipo, como a flutamida, bicalutamida e nilutamida são administrados via oral diariamente.

O tratamento com antiandrógeno pode ser combinado com orquiectomia ou análogos do LHRH, como a hormonioterapia de primeira linha, o que é denominado bloqueio androgênico combinado.

Enzalutamide - Este medicamento é um novo tipo de antiandrógeno. Quando os andrógenos se ligam ao receptor de androgénio, o receptor envia um sinal para as células crescerem e se dividirem. O enzalutamide bloqueia o sinal do receptor de andrógeno para a célula.

Em homens com câncer de próstata resistentes à castração e já com docetaxel, o enzalutamide diminui o nível do PSA, reduz ou retarda o crescimento de tumores e aumenta a sobrevida. O enzalutamide é administrado via oral e a dose mais comum é de 4 comprimidos diariamente. 


 

  • Outros Medicamentos Supressores de Andrógenos


Os estrogênios (hormônios femininos) foram a principal alternativa à orquiectomia para homens com câncer de próstata avançado. Mas, devido a seus possíveis efeitos colaterais estão sendo substituídos por análogos do LHRH e antiandrógenos.

O cetoconazol, utilizado anteriormente no tratamento de infecções fúngicas, bloqueia a produção de determinados hormônios, como os androgénios, de forma similar ao abiraterone. É mais frequentemente utilizado no tratamento de homens diagnosticados com câncer de próstata avançado, por permitir a redução dos níveis de testosterona mais rapidamente. Também pode ser administrado quando outras formas de hormonioterapia não estão respondendo.

Pacientes tratados com cetoconazol muitas vezes precisam tomar um corticosteroide, para evitar os efeitos colaterais causados ​​pela diminuição do nível do cortisol.

Efeitos Colaterais da Terapia Hormonal

Em função das alterações nos níveis de hormônios, a hormonioterapia pode causar efeitos colaterais como:


 

  • Diminuição ou ausência da libido.

  • Impotência.

  • Ondas de calor.

  • Diminuição dos testículos e do pênis.

  • Sensibilidade e crescimento do tecido mamário.

  • Osteoporose.

  • Anemia.

  • Diminuição da agilidade mental.

  • Perda de massa muscular.

  • Ganho de peso.

  • Fadiga.

  • Aumento do colesterol.

  • Depressão.


Muitos dos efeitos colaterais da hormonioterapia podem ser evitados ou tratados, por exemplo:

 

  • Ondas de calor podem ser tratadas com determinados antidepressivos ou outros medicamentos.

  • Radioterapia das mamas pode ajudar a prevenir a hipertrofia, mas não é eficaz quando o aumento já ocorreu.

  • Vários medicamentos estão disponíveis para prevenir e tratar a osteoporose.

  • A depressão pode ser tratada com antidepressivos e/ou psicoterapia. 

  • Exercícios ajudam a reduzir os efeitos colaterais, como fadiga, ganho de peso e a perda de massa óssea e muscular.


Existe uma crescente preocupação de que a hormonioterapia no câncer de próstata pode causar problemas de concentração ou memória. Estudar os possíveis efeitos da hormonioterapia sobre a função cerebral é difícil, pois outros fatores podem alterar o funcionamento do cérebro. Por exemplo, o câncer de próstata e problemas de memória se tornam mais comuns quando os homens envelhecem. A hormonioterapia também pode causar anemia, fadiga, depressão, que também podem afetar o funcionamento do cérebro. Mais estudos estão em andamento.

Discussão sobre Hormonioterapia

Nem todos os médicos concordam sobre o melhor momento para começar ou interromper a hormonioterapia, bem como a melhor maneira de administração. Mais estudos estão em andamento para compreender melhor essa questão. 

Tratamento do Câncer em Fase Inicial - Alguns médicos utilizam a hormonioterapia em vez da conduta expectante ou vigilância ativa em homens com câncer de próstata estágio I ou II, que não querem fazer cirurgia ou radioterapia. Alguns estudos mostraram que estes homens tem uma maior sobrevida comparados aqueles que não receberam qualquer tratamento inicialmente. Em função disso, a hormonioterapia geralmente não é recomendada para o câncer de próstata em fase inicial.

Tratamento Precoce x Tratamento Tardio - Para os homens que eventualmente precisem da terapia hormonal, como aqueles cujo PSA aumentou após a cirurgia ou radioterapia ou aqueles com doença avançada assintomáticos, alguns médicos acreditam que a hormonioterapia tem melhores resultados se iniciada o mais precocemente possível, mesmo para aqueles que não apresentam qualquer sintoma. Alguns estudos mostraram que o tratamento hormonal pode abrandar a doença e até aumentar a sobrevida.

Hormonioterapia Intermitente x Hormonioterapia Contínua - Quase todos os tipos de câncer de próstata tratados com hormonioterapia se tornam resistentes ao tratamento ao longo do tempo. Alguns pesquisadores acreditam que a supressão androgênica constante pode não ser necessária, por isso, recomendam o tratamento intermitente, acreditando que a pausa na supressão androgênica, também haverá uma pausa nos efeitos colaterais, como diminuição da energia, impotência, ondas de calor e perda do desejo sexual.

Bloqueio Androgênico Combinado - Os agonistas de LHRH são utilizados ​​em combinação com antiandrógenos, para bloquear completamente os hormônios masculinos. A maioria dos médicos não concorda que existam provas suficientes de que a terapia combinada seja mais eficaz do que apenas um medicamento no tratamento do câncer de próstata metastático.

Bloqueio Androgênico Triplo - Alguns médicos sugerem realizar a terapia combinada, adicionando um inibidor chamado 5-alfa redutase, finasterida ou dutasterida.  No entanto, atualmente, existem poucas evidências sobre os benefícios do bloqueio androgênico triplo.

Castração Resistente x Hormônio Refratário - Esses termos são utilizados para descrever os cânceres de próstata que já não estão respondendo aos hormônios no entanto são conceitualmente diferentes:


 

  • Castração Resistente - Significa que o câncer ainda está evoluindo a pesar dos níveis de testosterona estar baixos como é esperado.


 

  • Hormônio Refratário - Se refere ao câncer de próstata que não está evoluindo adequadamente com nenhum tratamento hormonal, incluindo novos medicamentos.

 

  • Profilaxia óssea em tumores avançados

 

Se o câncer de próstata se desenvolver fora da glândula, pode se espalhar para os tecidos ou linfonodos adjacentes e ossos. A disseminação para os ossos pode ser dolorosa e provocar outros problemas, como fraturas ou aumento dos níveis de cálcio.

Prevenir ou retardar a disseminação da doença para os ossos é um dos principais objetivos do tratamento se o tumor se desenvolveu fora da glândula. Se o câncer já atingiu os ossos, controlar ou aliviar a dor e outras complicações é uma parte importante do tratamento.

Tratamentos descritos anteriormente, como hormonioterapia, quimioterapia e vacinas podem ajudar, mas existem outras terapias mais específicas se a doença se disseminou para os ossos:


 

  • Bisfosfonatos


Os bisfosfonatos são um grupo de medicamentos para aliviar a dor e o aumento dos níveis de cálcio causados pela disseminação da doença para os ossos. Também podem retardar o desenvolvimento de metástases e prevenir fraturas. Além de ajudarem a fortalecer os ossos em homens recebendo terapia hormonal.

Esses medicamentos atuam diminuindo a atividade  dos osteoclastos. Essas células normalmente quebram a estrutura mineral dos ossos para mantê-los saudáveis. Mas, os osteoclastos frequentemente se tornam hiperativos quando as células cancerígenas se espalham para os ossos, o que pode causar problemas.

O bisfosfonato mais utilizado para o tratamento das metástases do câncer de próstata é o ácido zoledrônico. É administrado por via intravenosa, geralmente uma vez a cada 3 ou 4 semanas. Recomenda-se o uso de suplemento contendo cálcio e vitamina D para evitar problemas com a diminuição dos níveis de cálcio. Os bisfosfonatos também podem ser usados para tratar a osteoporose. Alguns homens com câncer de próstata podem desenvolver a osteoporose após a hormonioterapia.

Os bisfosfonatos podem apresentar efeitos colaterais, como sintomas de gripe, dores ósseas ou articulares e problemas renais.

Um efeito colateral raro, mas importante dos bisfosfonatos é a osteonecrose da mandíbula. Nessa condição, uma parte do osso da mandíbula perde seu suprimento de sangue, podendo levar à perda de dentes e infecções ou feridas no osso da mandíbula. Recomenda-se uma verificação dentária antes de começar o tratamento com bisfosfonatos. Também é importante manter uma boa higiene oral e exames dentários regulares para ajudar a prevenir esta condição.


 

  • Denosumabe


O denosumabe é outro medicamento para tratar metástases ósseas do câncer de próstata. Assim como os bisfosfonatos, o denosumabe também bloqueia os osteoclastos, mas de forma diferente.

Em pacientes com a doença avançada, o denosumabe pode prevenir ou retardar problemas, como fraturas. Também pode ser útil se o tratamento com ácido zoledrônico não está mais respondendo.

Este medicamento é administrado como uma injeção subcutânea a cada 4 semanas. Recomenda-se o uso de um suplemento que contenha cálcio e vitamina D para evitar problemas com os níveis baixos de cálcio.

Os efeitos colaterais comuns do denosumabe incluem náuseas, diarreia e sensação de fraqueza ou cansaço. Assim como os bisfosfonatos, o denosumabe também pode causar osteonecrose da mandíbula, e são recomendadas as mesmas precauções, como check-up dentário.


 

  • Corticosteroides


Alguns estudos sugerem que medicamentos corticosteroides, como a prednisona e a dexametasona, podem aliviar a dor óssea em alguns homens. Também podem ajudar nos níveis do PSA.

 

  • Radioterapia


A radioterapia pode reduzir a dor óssea, principalmente se a dor está limitada apenas a uma região. A radioterapia pode ser administrada em tumores na coluna vertebral, aliviando a pressão sobre a medula em alguns casos. A radioterapia também pode aliviar outros sintomas, reduzindo tumores em outras partes do corpo.

 

  • Radiofármacos


Os radiofármacos são medicamentos que contêm elementos radioativos. Eles são administrados via intravenosa e se estabelecem nas áreas dos ossos com doença ativa. A radiação emitida localmente destrói as células cancerígenas.

Atualmente, existem 3 radiofármacos que podem ser usados no tratamento das metástases ósseas do câncer de próstata:


 

  • Estrôncio-89.

  • Samário-153.

  • Rádio -223.


Estes radiofármacos podem ser utilizados no tratamento das óssea. Ao contrário da radioterapia, este tratamento permite que todos os ossos afetados pela doença sejam tratados ao mesmo tempo.

O principal efeito colateral dos radiofármacos é a diminuição nas taxas sanguíneas, que pode aumentar o risco de infecções ou hemorragias.

 

 

  • Prostatectomia radical

 

É um procedimento cirúrgico onde a próstata e as vesículas seminais são retiradas por completo. Pode ser realizada por via perineal, retro púbica, laparoscópica ou robótica. Dependendo das características tumorais e da função sexual do paciente pode ser empregado a cirurgia com a tentativa de preservar os feixes vasculho nervosos que são responsáveis pela ereção. Durante a cirurgia também é realizado a linfadenectomia pélvica onde dependendo do estadiamento pode ou não ser realizada ou estendida.

O objetivo da Prostatectomia radical é erradicar a doença e conseguir uma continência urinaria satisfatória e quando possível manter a potência sexual. Não existe hoje idade máxima para realizar o procedimento e aqueles com boa saúde e expectativas de vidas adequadas devem ser oferecidos a cirurgia por tratar-se do melhor método de cura para o câncer de próstata.

Tanto a abordagem aberta e as minimamente invasivas como a laparoscópica e robótica parecem ter os mesmos resultados oncológicos. Os estudos ainda carecem de maior acompanhamento e comparativos para afirmar a eficácia melhor de uma sobre a outra. Apesar da menor convalescência dos pacientes na cirurgia robótica e laparoscópica ainda não temos dados com grau de evidencia adequado para afirmarmos que uma é melhor que a outra. Apesar da cirurgia robótica praticamente ser a modalidade de tratamento de escolha nos países onde ela está disponível mais facilmente, não possuímos estudos onde demonstrem que a diferença nos resultados de continência, potência e oncológico seja tão diferente quanto nas cirurgias abertas. Sabemos que a morbidade peroperatória e a diminuição das margens cirúrgicas positivas são melhores na robótica porem não conseguimos ainda provar com segurança que a robótica terá resultados oncológicos melhores que as outras modalidades. Talvez seja fruto de conclusões de estudos futuros com melhor grau de evidencia. Na pratica o melhor é discutir com seu urologista as modalidades disponíveis para o seu caso e a disponibilidade dela no seu meio.

Estudos demonstram que em média a chance de estar curado do câncer de próstata em casos de baixo e risco intermediário em 12 anos variam de 90-100%, confirmando a excelente modalidade terapêutica e mesmo quando não é curado o paciente pode ser tratado tanto com radioterapia como hormonioterapia com uma resposta adequada e com controle da doença. Muito das vezes vindo a falecer de outras causas e não do câncer de próstata.

 

  • Aspectos psicológicos do câncer de próstata

A ideia de possuir um câncer já repercuti negativamente em qualquer pessoa, o câncer de próstata tem uma capacidade maior de gerar sentimento de impotência e fuga da realidade em muitos homens. A ideia de perda de sua função sexual e a possibilidade da incontinência gera uma ferida na vida desses pacientes mesmo naqueles com alterações transitórias durante sua fase de recuperação. É importante o homem entender o motivo do tratamento e todas as modalidades com seus riscos e benefícios. Assim como ele saber priorizar o que é mais importante em sua vida e família.

Apesar dos avanços tecnológicos para cura da disfunção erétil e incontinência pós tratamento do câncer ainda é um ponto de grande ansiedade, tristeza e decepção dos homens. Convém destacar que esses pacientes necessitam de apoio multidisciplinar e necessitam de espaço durante as consultas e tratamento para que suas angustias sejam trabalhadas e tanto o médico como o paciente saberem da necessidade de tratar a parte orgânica, porém com uma intervenção com suporte afetivo-emocional seja através da família, amigos ou profissionais capacitados para isso.

Dr. Luis Guilherme

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